sábado, 9 de abril de 2011

COMPOSTAGEM ORGANICA



Compostagem lixo orgânico em adubo

Engº Agrº MSc Celso da Penha Gibson
Extensionista Rural I
EMATER-PARÁ

O processo de compostagem pelo método INDORE ( método desenvolvido no estado indiano do mesmo nome) é desenvolvido por uma população diversificada de microorganismos e envolve necessariamente duas fases distintas, sendo a primeira de degradação ativa e a segunda de maturação ou cura. Na fase de degradação ativa, a temperatura deve ser controlada na faixa de 45 a 65ºC. Já na fase de maturação ou cura, na qual ocorre a humificação da matéria orgânica previamente estabilizada na primeira fase, a temperatura do processo deve permanecer menor que 45 ºC. A compostagem de baixo custo envolve processos simplificados e é feita em pátios onde o material a ser compostado é disposto em pilhas ou leiras de seção transversal triangular, com  altura de 1,5 metros, base de 1,5  a 3,0 metros, e comprimento variável de acordo com a disponibilidade da área de compostagem e quantidade de material orgânico a ser compostado.

1. Fatores que Afetam o Processo de Compostagem:

1.1 Umidade
A pesquisa já demonstrou que a matéria orgânica a ser compostada deve ter uma umidade ótima em torno de 50%, sendo os limites máximos e mínimos desejáveis, iguais a 60 e 40% respectivamente.
O excesso de umidade do composto pode ser reduzido pelos revolvimentos. Se o composto apresentar umidade excessiva (entre 60 e 70%), deve-se revolver a cada cinco dias por 4 vezes durante mais ou menos 20 dias. Baixa umidade (abaixo de 40%), requer irrigação (ver oxigenação), a não ser que o processo de compostagem esteja já em sua fase final.
Em geral o composto deve ser revolvido a cada sete dias.

1.2 Oxigenação:
A oxigenação da leira de compostagem pode ser efetuada por processos naturais (reviramentos). A aeração tem por finalidade básica suprir a demanda de oxigênio requerida pela atividade microbiológica e atuar como agente de controle da temperatura.
O reviramento das leiras de compostagem pode ser manual ou mecânico, com o auxílio de uma pá-carregadeira ou de um trator específico para essa finalidade.
Durante o reviramento, o calor é liberado para o meio ambiente na forma de vapor de água. Nesse momento, faz-se a correção da umidade, por meio da distribuição uniforme de água na massa de compostagem, de modo a repor a perda de água do sistema. Durante a molhagem da massa, deve ser tomados cuidados para evitar o excesso de umidade, o que poderá causar anaerobiose (putrefação da matéria orgânica com exalação de odores e atração de vetores), além da lixiviação do excesso de água na leira.



1.3 Temperatura:
Deve ser controlada diariamente. Esses valores vão revelar a performance do processo e a necessidade de qualquer medida corretiva caso a temperatura esteja excessivamente alta (> 65ºC) ou baixa (< 35ºC) na fase ativa de degradação. As temperaturas altas são controladas pelo reviramento e/ou pela mudança de configuração geométrica da leira (diminuição da altura e aumento da área superficial). As temperaturas baixas registradas na fase ativa sugerem baixos teores de umidade (< 35ºC) ou outro problema que esteja afetando a atividade microbiológica do processo.
O valor médio ideal da temperatura nos processos de compostagem é de 50ºC.
Dentre os principais fatores que influenciam o bom desenvolvimento da temperatura nas leiras de compostagem, citam-se:
As características da matéria-prima;
O tipo de sistema utilizado;
O controle operacional (teor de umidade, ciclo de reviramento, temperatura);
A configuração geométrica das leiras.
Em um período de 12 a 24 horas após a montagem as leiras de compostagem devem registrar temperaturas entre 50 a 65ºC. Essas temperaturas deverão permanecer durante todo a primeira fase do processo, atingindo valores menores que 45ºC somente no fim dessa fase.
O registro de temperaturas controladas, inferiores a 45ºC, indica o início da fase de maturação. A fase de maturação – 2ª fase do processo - se caracteriza pelo desenvolvimento de temperaturas entre 30 – 45ºC.

1.4 Concentrações de Nutrientes:
Relação carbono/nitrogênio: Ao coletar material, você deverá ter em mente a relação entre os materiais ricos em carbono e materiais ricos em nitrogênio no seu sistema de compostagem. A melhor relação entre C/N em uma pilha de composto está em torno de 25 a 30 partes de carbono para uma parte de nitrogênio. Em termos práticos, isso significa que quase todo o material a ser adicionado deve ser material carbônico. Uma pilha com uma relação C/N muito superior a 25 ou 30 levará bastante tempo para se decompor. Se a relação C/N é muito baixa, ou seja, se tiver muito nitrogênio, sua pilha provavelmente irá liberar o excesso na forma de gás de amônia com forte cheiro. Mas a relação C/N não precisa ser exata. Em geral, adicione de 1 a 1,5 kg de material rico em nitrogênio para cada 50 kg de material rico em carbono.

Fontes de Carbono:

Materiais secos e fibrosos de plantas;
Capins;
Folhas;
Palhas;
Serragens;
Rolão de milho;
Jornal, papel branco  e pardo;
Palha de arroz;
Sabugo de milho;



Fontes de Nitrogênio:

Esterco;
Aparas de grama;
Farinha de sangue;
  Farinha de algas;
Leguminosas;
  Tortas;
Sobras de cozinha;
Casca de ovo;
Verduras, legumes e frutas.

No caso de não dispor de matéria orgânica como fonte de nitrogênio, você poderá usar um composto químico como ativador natural, que pode aumentar o teor de nitrogênio na pilha de composto. Você pode usar um fertilizante "completo" tal como o 10-5-10. Uma receita típica para compostagem pode ser uma xícara da formulação citada, para cada 3m2 de superfície plana de composto. Esta dose pode ser aplicada novamente toda vez que sua pilha crescer 15 cm. Você também poderá usar uréia em quantidades ligeiramente menores.

1.5 Tamanhos da Partícula:

O tamanho médio das partículas de matéria orgânica que compõe a massa de compostagem também exerce grande influência no período de compostagem. Antes da montagem da leira de compostagem, os resíduos devem ser submetidos a uma correção do tamanho das partículas, o que favorece a vários outros fatores, como:
Homogeneização da massa de compostagem;
Agiliza o ataque dos microrganismos;
Melhoria da porosidade;
Menor compactação;
Maior capacidade de aeração.
Na prática, o tamanho das partículas da massa de compostagem deve situar-se entre 1 a 5 cm, Æ médio = 3,5 cm.

2. Onde montar a pilha:

Sua pilha de compostagem deve ficar próxima a uma fonte de água, pelo menos em algum lugar que possa ser alcançado com uma mangueira de jardim, em um local seco e onde você possa controlar a umidade da leira.
Em um clima mais quente que é o nosso caso, poderá colocar a pilha na sombra, onde ela não ressecará tão rapidamente.

3. Alguns Materiais Normalmente Utilizados:

Penas: Todo tipo de pena, de galinha, peru e outras aves também podem ser aproveitadas na compostagem, uma vez que são muito ricas em nitrogênio, e se decompõem com facilidade.
Cinzas: Cinza de madeira proveniente de lareira ou de fogão a lenha, especialmente se for peneirada para que fique sem pedaços de carvão. Uma pequena quantidade de cinza de madeira pode ser acrescentada à pilha de composto, a cada 45cm, aproximadamente, colocando-se posteriormente mais matéria orgânica. São uma ótima fonte de potássio para os horticultores orgânicos, pois a utilizam contra a prevenção de pragas. As cinzas das cascas de banana, limão, pepino e cacau possuem alto teor de fósforo e potássio.
As cinzas de madeira podem ser acrescentadas às pilhas de compostagem, mas perdem muito de seu valor se ficarem expostas ao excesso de chuva, pois o potássio lixívia facilmente.

Lixo doméstico: Quase todo lixo orgânico de cozinha é um excelente material para decomposição. Existem apenas algumas exceções dignas de nota: óleos e gordura animal. Restos de carne costumam atrair animais e moscas, além de causar um cheiro desagradável. Se você não conseguir esconder estes restos bem fundo em sua pilha, é melhor desprezá-los pois sua degradação é muito difícil.

Serragem: a serragem deve ser distribuída na pilha em camadas finas para que não haja concentração de material em um mesmo local. Se isto ocorrer, a degradação será extremamente lenta. Se a serragem for muito fina poderá bloquear a entrada de ar. A forma ideal é fazer uma espécie de sanduíche entre as camadas de esterco.

Poda de arbustos e cerca viva: Podas de arbustos e galhos de árvores são normalmente volumosos e difíceis de serem degradados, a menos que sejam picados ou retalhados, mas de vez em quando uma camada de podas volumosas pode ser utilizada na pilha. Este material torna a pilha volumosa permitindo dessa maneira uma penetração de ar mais eficiente.

Folhas: Para utilizar as folhas estas devem ser bem picadas para que não haja compactação e também para acelerar na decomposição.

Grama: Placas de grama são um ótimo isolante térmico e ajudam a manter as moscas afastadas. Tente cobrir a pilha do composto com as raízes para cima e a grama para baixo (CAMPBELL, 1995).

Ervas daninha: É ótima como matéria orgânica para o solo, mas deve-se acrescentar muito esterco ou outro material rico em nitrogênio, para que as altas temperaturas não permitam que as sementes germinem, assim evitando trabalhos futuros e o desperdício deste resíduo.

Rocha moída e conchas: Rochas e conchas possuem muitas dos materiais necessários para o crescimento de plantas. Partículas finas de pó de granito ou de mármore dissolvem-se relativamente rápido em qualquer pilha de composto que esteja úmida. Ostras moídas, conchas de bivalvos e de lagostas, só para citar alguns, terão o mesmo efeito que rocha moída. A casca de ostras moída pode substituir um bom calcário.

Calcário: O calcário pode ser utilizado principalmente como fornecedor de nutrientes, Ca e Mg, em quantidades 1 a 2 % em relação ao peso seco (conteúdo de sólidos) dos resíduos orgânicos. Portanto, não deve ser utilizado em grandes quantidades, pois além de aumentar o custo, obtêm-se condições de alcalinidade, o que leva à perda de nitrogênio devido à volatilização na forma de amônia (NH3 ). Além disso, altera os níveis de população dos microorganismos atuantes causando prejuízos ao processo.

Fósforo: Quando se adicionam fontes de P solúveis (superfosfatos), fosfatos parcialmente solúveis ou termofosfatos, à pilha de compostagem, o P que participa do processo de decomposição dos resíduos é imobilizado pelos microorganismos, ficando, portanto, numa forma orgânica. Quando o composto enriquecido é aplicado a um solo ácido com presença de óxidos-hidróxidos de Fe e Al (responsáveis pela alta adsorção de P dos fertilizantes), o fósforo fica protegido de ser adsorvido por estar na forma orgânica, permitindo uma melhor absorção pelas plantas, pois sua mineralização ocorre gradativamente. O P é um elemento interessante a ser usado na compostagem, pois os nossos solos normalmente são deficientes nesse elemento apresentam um alto poder de adsorção e, além disso, em geral os compostos apresentam teores de P menores que 0,2%.( PEIXOTO, 1987)

Algas marinhas: São ótimas como fontes de potássio se degradam facilmente e podem ser misturadas com qualquer outro material volumoso, como a palha. Também são muito ricas em outros nutrientes, como o boro, iodo, cálcio, magnésio entre outros.
No jardim deve ser aplicado a cada 3 ou 4 anos em grandes quantidades. Para o horticultor as algas marinhas mantêm a pilha isolada termicamente durante o inverno.

Acículas de pinheiro: São consideradas um bom melhorador da textura do composto. Apesar de se tornar levemente ácida na pilha, outros materiais irão neutralizar os efeitos ácidos.

Turfa: Em termos de nutrientes a turfa não acrescenta nada na compostagem, mas pode absorver toda a umidade existente.

Produtos químicos tóxicos: Deve-se evitar colocar inseticidas, pesticidas e venenos na pilha. Estes produtos são nocivos aos microorganismos que ajudam na degradação e aeração do solo.

Lodo de esgoto: Este resíduo merece um cuidado especial com altas temperaturas para a eliminação de metais tóxicos e de organismos patogênicos.

Resíduos não biodegradáveis

Resíduos de plásticos, vidros, alumínios e roupas possuem material sintético que não são biodegradáveis, que poderão prejudicar o solo. Borracha natural é biodegradável, mas tem lenta degradação.

Plantas doentes

Para adicionar plantas doentes na composto é preciso um processo de compostagem ideal para garantir a completa destruição de organismos patogênicos que causam doenças.


Papel colorido

Recomenda-se não adicionar nenhum tipo de papel colorido na compostagem, devido às tintas tóxicas e não biodegradáveis. Além disso, atualmente há muitas campanhas para a reciclagem de papéis.

Carvão mineral e vegetal

As cinzas de carvão mineral possuem uma quantidade excessiva de enxofre e ferro que são tóxicos para as plantas, além de apresentarem muita resistência a decomposição.

Aparas de grama

As aparas de grama são matéria orgânica muito rica em nutrientes. Nas pilhas de compostagem são ótimos isolantes térmicos e ajudam a manter as moscas afastadas.

Feno ou palha

Estes em uma compostagem necessitam de uma grande quantidade de nitrogênio para se decompor. Então recomenda-se que se utilize pequenas quantidades de feno e palhas frescos.

Resíduos de cervejaria

Este tipo de resíduo enriquece o composto, mas costumam ser bastante úmidos, não necessitando de irrigação freqüente.

Resíduos de couro

Pó de couro é muito rico em nitrogênio e fósforo, pode ser abundante e barato.

Jornais

Há algumas controvérsias de se colocar jornais na pilha de composto. Os jornais são uma grande fonte de carbono na sua compostagem, desde que se utilize em pequenas quantidades.

Alguns resíduos, como o sabugo de milho, de maçã, casca de citrus, talo de algodão, folhas de cana, folhas de palmeira, casca de amendoim, de nozes, pecan e amêndoa são de difícil degradação, porém possuem muito nitrogênio e matéria orgânica. Recomenda-se que sejam picadas em pedaços menores para que se degradem mais facilmente.
Para manter sua pilha volumosa e com força, pode-se acrescentar terra, calcário ou húmus, já areia, lama e cascalho adicionam poucos nutrientes.
Para a boa degradação dos componentes de uma pilha é necessário evitar alguns resíduos, como o carvão mineral e vegetal, papel colorido, plantas doentes, materiais biodegradáveis, fezes de animais de estimação, lodo de esgoto, produtos químicos tóxicos entre outros.

4. Materiais a serem evitados:

Quando sua pilha encolher e ficar menor, você até pode acrescentar certos materiais para aumentar o seu volume, adicionando terra, calcário e húmus. Lama, areia e cascalho adicionam pouco nutrientes, bem como microorganismos para seu composto. Abaixo, uma lista de alguns materiais a serem evitados:
Carvão mineral e vegetal;
Papel colorido;
Plantas doentes (devem ser queimadas e suas cinzas podem ser adicionadas à pilha de composto);
Materiais não biodegradáveis;
Fezes de animais de estimação;
Lodo de esgoto não tratado;
Produtos químicos tóxicos. (CAMPBELL, 1995)

5. Tamanho da Pilha

Não deve ser mais alta que 1,5 m, para compostos revisados manualmente em prazos longos. Em compostos comerciais as pilhas são maiores e revisadas com maior periodicidade. Caso contrário o centro da pilha talvez não obtenha ar suficiente, e uma área anaeróbica estará se formando no interior dela.
A largura da base pode variar de 1,5 m  a 3,0 m, sendo o comprimento função da quantidade da matéria prima para compostagem, bem como da disponibilidade de área no terreno. 

6. Como construir sua pilha de Compostagem

Tente construir sua pilha como um sanduíche de várias camadas usando todos ingredientes que encontrar. Alterne camadas "verdes" de material fresco de verduras e legumes com camadas "secas" de material envelhecido, camada absorvente com camada úmida, material rico em carbono com material rico em nitrogênio. Coloque uma camada de 15 cm de um material vegetal mais resistente, uma outra camada de 15 cm de um outro material vegetal menos resistente, uma camada de algum tipo de resíduo animal (como esterco). A cada  camada de material, irrigar de preferência com regador de jardim, repita o procedimento até a altura desejada. Esta fórmula pode ser facilmente adaptada ou modificada. Você pode querer não utilizar nenhum tipo de resíduo animal e, em vez disso, utilizar um outro ativador natural. Você pode, ainda, utilizar um pouco de calcário ou rocha moída. (CAMPBELL, 1995)
Quando se deseja fazer um composto rápido há cinco aspectos a serem considerados:
1) Utilizar diversos materiais para conseguir um suprimento de alimentação equilibrada para os microorganismos
2) Misturar todo material, ao invés de fazer camadas.
3) Reduzir o tamanho das partículas,  a fim de possibilitar a ação dos microorganismos;
4) Revolver freqüentemente para aeração;
5) Manter a umidade permanente.


7. Algumas características de um "composto curado" ideal:
ü                   Deve ser quase totalmente isento de qualquer organismo patogênico e sementes de ervas daninhas.
ü                  Deve ter um teor adequado de alguns macro nutrientes e conter uma variedade de micronutrientes. Também é desejável que o produto final possua traços de manganês, boro, sódio, zinco e outros nutrientes. Se você tem composto suficiente para aplicar em sua horta inteira e durante o ano todo, em pouco tempo você será capaz de corrigir deficiências de magnésio, cobre, ferro e boro do solo. Devo lembrar, no entanto, que isso não significa que o composto é um fertilizante completo e que não será necessários posteriores complementações com fertilizantes minerais.
ü                  O composto "curado" não precisa estar decomposto a ponto de somente apresentar partículas coloidais e ter uma aparência poeirenta. O composto deve ser leve e macio, mas não fibroso. Materiais rígidos e ricos em carbono, como fibra de palhas, podem ainda estar intactos. Mas se o composto está pronto para uso, você será capaz de esmagar e desfazer esse tipo de material entre os dedos. Composto friável, da mesma forma que solo friável, permite a entrada de ar e retém um bom teor de umidade, mas também permite que o excesso de água seja drenado.
ü                  Apesar de não se parecer com terra, um bom composto curado deve ter cheiro de terra – nunca cheiro de bolor ou de podre.
ü                  O composto terá passado por uma queda de temperatura de aproximadamente 65 º C para qualquer que seja a temperatura externa da pilha. O composto que ainda está muito mais quente do que o ar circulante necessita de mais tempo para decomposição.
ü                  Deve conter pelo menos 40% de matéria orgânica. Neste sentido, ele é mais valioso do que o próprio esterco. Não somente o teor de matéria orgânica é superior, como o composto possui menor quantidade de água do que esterco fresco. (KIEHL, Edmar)

8. Principais problemas, causas e soluções:

Durante a fase de degradação ativa

Pilha demora mais que cinco dias para esquentar (temp. 50 – 65 º C)

Causa: falta de Nitrogênio

Solução: adicione materiais ricos em N, tais como podas frescas de grama, esterco fresco ou farinha de sangue. Se você não pode misturar os materiais facilmente, tente fazer alguns orifícios na pilha e coloque o material rico em N.

Causa: falta de umidade

Solução: insira a mangueira do jardim dentro da pilha em diferentes pontos, ou faça buracos na pilha com uma vara e jogue água usando uma lata.
Cheiro desagradável proveniente da pilha

Causa: falta de oxigênio devido a compactação

Solução: areje

Causa: falta de oxigênio devido a encharcamento

Solução: adicione materiais ricos em carbono tais como talo de milho, folhas ou cavacos de madeira para absorver o excesso de água. Melhore também a aeração.
Geração espontânea de vegetação nas pilhas em maturação

Causa: colonização de sementes por pássaros, vento, etc.
Solução: retirar toda e qualquer vegetação da pilha

9. Para controle da decomposição

Teste da vara de madeira: para avaliação do grau de maturação do composto. Introduz–se uma vara de madeira na pilha de composto, deixando-a enterrada permanentemente; removendo a vara verifica-se se está:
Fria e molhada: na pilha não está havendo fermentação, provavelmente por excesso de água na massa;
Levemente morna e seca, com traços de filamentos brancos de micélio de fungos: a pilha necessita mais água.
Quente, úmida e manchada de pardo escuro: as condições para compostagem estão corretas.
Livre de "barro preto", com cheiro de mofo, podendo ser introduzida de volta na pilha com facilidade: o composto está pronto para ser usado.

Teste da temperatura: com um termômetro pode-se acompanhar o processo de compostagem, medindo-se a temperatura em uma profundidade entre 40 e 60 cm e sabendo-se que:
Na primeira fase, mesófila, a temperatura se eleva até 40 a 45ºC, é o início da compostagem.
Na segunda fase, a termófila, a temperatura alcança 70 º C ou até mais, é a fase da bioestabilização.
Na terceira fase, o retorno à mesófila, a temperatura cai novamente, em torno de 45 º C, identificando o término da bioestabilização e o início da humificação.
Na quarta e última fase, a criófila (crio significa frio), a massa adquire a temperatura ambiente, indicando que o composto está humificado. (KIEHL, 1985).

10. Avaliação do composto.

O composto será considerado humificado, ou seja, bio-estabilizado quando após ter permanecido por algum tempo com a temperatura acima de 55 ºC e depois a temperatura cair e permanecer constante, mesmo após revolvimento, ou, tecnicamente, quando a relação C/N for inferior a 17/1 e apresentar-se com coloração escura, cheiro característico de terra e consistência amanteigada (quando molhado e esfregado entre as palmas das mãos).

11. Composição química.

A avaliação do composto pela sua composição química se faz, determinando-se o conteúdo de matéria orgânica, o qual deve ser superior a 40%; determinado-se o teor de nitrogênio total (que deve ser superior a 1,75% e, quanto maior, mais valioso o adubo); calculando-se a relação C/N (que deve ser inferior a 17/1); e determinando-se o pH (que deve ser superior a 7,0).

12. Armazenamento

É difícil armazenar composto eficientemente. Como regra geral, no entanto, é preferível aplicar o composto muito cedo, talvez antes de a decomposição estar "completa" do que muito tarde.

13. Aplicação do composto

O composto orgânico curado pode ser empregado em contato direto com as raízes e com os brotos delicados sem perigo de queimar.
A época de adubação pode ser por ocasião do plantio, quando se forma a cultura (adubação de cova) e quando vai iniciar o período de produção da planta (adubação de cobertura). No primeiro caso o adubo é colocado no fundo da cova misturado com a terra preta da parte superior da cova; no segundo caso, na superfície da terra, entre as linhas de cultura ou em volta da planta.
As dosagens podem variar, dependendo da fertilidade do solo e da disponibilidade de adubo, entretanto, considera-se uma adubação fraca, cerca de 10 t/ha;  média 20t/ha a 30t/ha e forte, acima desse valor.

14. Custo de produção

Estima-se que o composto preparado manualmente, custa um homem/dia de trabalho por tonelada, sendo que uma tonelada tem cerca de 1,5 metros cúbicos de massa fresca.
Preparado mecanicamente, conforme a distância em que se encontra a matéria-prima, o número de revolvimento e o trator utilizado, o custo fica reduzido, praticamente, a um terço do valor citado por tonelada.

15. Valor comercial

O valor comercial do composto orgânico pode ser estimado supondo ser o custo produção de uma tonelada igual a R$ 60,00. Comparando-se a concentração em NPK do composto em torno de 4%, com o preço de uma mistura fertilizante (10-28-20) mais usada entre nós e que apresenta uma concentração 14,5 vezes mais concentrada (58%) e, dando mais um terço do valor do N do composto para a sua matéria orgânica tem-se:

O valor comercial da formulação 10-28-20 com 58% de concentração NPK igual a R$ 600,00/t. (preço Belém em 05/03/2001).

Valor do composto com 4% de NPK

-                                                                                                                    R$ 600,00  = R$ 31,37
           14,5

 Valor atribuído à matéria orgânica do composto, aproximadamente, R$ 60,00 por tonelada.
Conclusão:

1.                   O composto custa cerca de R$ 60,00/t  de mão-de-obra para ser produzido +  R$ 31,37 da concentração de NPK, perfazendo um custo total de R$ 91,37/t.

2.  Preço por quilo  =  R$ 91,37   =  R$ 0,09
                                       1000

3.                  Comercialização  = R$ 91,37/t. x  30% = R$ 118,78/t.

4.                  Preço da torta de mamona na praça de Belém no dia 05/03/2001, R$ 240,00/t






Bibliografia utilizada:

Compostagem lixo orgânico em adubo

Engº Agrº MSc Celso da Penha Gibson
Extensionista Rural I
EMATER-PARÁ

O processo de compostagem pelo método INDORE ( método desenvolvido no estado indiano do mesmo nome) é desenvolvido por uma população diversificada de microorganismos e envolve necessariamente duas fases distintas, sendo a primeira de degradação ativa e a segunda de maturação ou cura. Na fase de degradação ativa, a temperatura deve ser controlada na faixa de 45 a 65ºC. Já na fase de maturação ou cura, na qual ocorre a humificação da matéria orgânica previamente estabilizada na primeira fase, a temperatura do processo deve permanecer menor que 45 ºC. A compostagem de baixo custo envolve processos simplificados e é feita em pátios onde o material a ser compostado é disposto em pilhas ou leiras de seção transversal triangular, com  altura de 1,5 metros, base de 1,5  a 3,0 metros, e comprimento variável de acordo com a disponibilidade da área de compostagem e quantidade de material orgânico a ser compostado.

1. Fatores que Afetam o Processo de Compostagem:

1.1 Umidade
A pesquisa já demonstrou que a matéria orgânica a ser compostada deve ter uma umidade ótima em torno de 50%, sendo os limites máximos e mínimos desejáveis, iguais a 60 e 40% respectivamente.
O excesso de umidade do composto pode ser reduzido pelos revolvimentos. Se o composto apresentar umidade excessiva (entre 60 e 70%), deve-se revolver a cada cinco dias por 4 vezes durante mais ou menos 20 dias. Baixa umidade (abaixo de 40%), requer irrigação (ver oxigenação), a não ser que o processo de compostagem esteja já em sua fase final.
Em geral o composto deve ser revolvido a cada sete dias.

1.2 Oxigenação:
A oxigenação da leira de compostagem pode ser efetuada por processos naturais (reviramentos). A aeração tem por finalidade básica suprir a demanda de oxigênio requerida pela atividade microbiológica e atuar como agente de controle da temperatura.
O reviramento das leiras de compostagem pode ser manual ou mecânico, com o auxílio de uma pá-carregadeira ou de um trator específico para essa finalidade.
Durante o reviramento, o calor é liberado para o meio ambiente na forma de vapor de água. Nesse momento, faz-se a correção da umidade, por meio da distribuição uniforme de água na massa de compostagem, de modo a repor a perda de água do sistema. Durante a molhagem da massa, deve ser tomados cuidados para evitar o excesso de umidade, o que poderá causar anaerobiose (putrefação da matéria orgânica com exalação de odores e atração de vetores), além da lixiviação do excesso de água na leira.



1.3 Temperatura:
Deve ser controlada diariamente. Esses valores vão revelar a performance do processo e a necessidade de qualquer medida corretiva caso a temperatura esteja excessivamente alta (> 65ºC) ou baixa (< 35ºC) na fase ativa de degradação. As temperaturas altas são controladas pelo reviramento e/ou pela mudança de configuração geométrica da leira (diminuição da altura e aumento da área superficial). As temperaturas baixas registradas na fase ativa sugerem baixos teores de umidade (< 35ºC) ou outro problema que esteja afetando a atividade microbiológica do processo.
O valor médio ideal da temperatura nos processos de compostagem é de 50ºC.
Dentre os principais fatores que influenciam o bom desenvolvimento da temperatura nas leiras de compostagem, citam-se:
As características da matéria-prima;
O tipo de sistema utilizado;
O controle operacional (teor de umidade, ciclo de reviramento, temperatura);
A configuração geométrica das leiras.
Em um período de 12 a 24 horas após a montagem as leiras de compostagem devem registrar temperaturas entre 50 a 65ºC. Essas temperaturas deverão permanecer durante todo a primeira fase do processo, atingindo valores menores que 45ºC somente no fim dessa fase.
O registro de temperaturas controladas, inferiores a 45ºC, indica o início da fase de maturação. A fase de maturação – 2ª fase do processo - se caracteriza pelo desenvolvimento de temperaturas entre 30 – 45ºC.

1.4 Concentrações de Nutrientes:
Relação carbono/nitrogênio: Ao coletar material, você deverá ter em mente a relação entre os materiais ricos em carbono e materiais ricos em nitrogênio no seu sistema de compostagem. A melhor relação entre C/N em uma pilha de composto está em torno de 25 a 30 partes de carbono para uma parte de nitrogênio. Em termos práticos, isso significa que quase todo o material a ser adicionado deve ser material carbônico. Uma pilha com uma relação C/N muito superior a 25 ou 30 levará bastante tempo para se decompor. Se a relação C/N é muito baixa, ou seja, se tiver muito nitrogênio, sua pilha provavelmente irá liberar o excesso na forma de gás de amônia com forte cheiro. Mas a relação C/N não precisa ser exata. Em geral, adicione de 1 a 1,5 kg de material rico em nitrogênio para cada 50 kg de material rico em carbono.

Fontes de Carbono:

Materiais secos e fibrosos de plantas;
Capins;
Folhas;
Palhas;
Serragens;
Rolão de milho;
Jornal, papel branco  e pardo;
Palha de arroz;
Sabugo de milho;



Fontes de Nitrogênio:

Esterco;
Aparas de grama;
Farinha de sangue;
  Farinha de algas;
Leguminosas;
  Tortas;
Sobras de cozinha;
Casca de ovo;
Verduras, legumes e frutas.

No caso de não dispor de matéria orgânica como fonte de nitrogênio, você poderá usar um composto químico como ativador natural, que pode aumentar o teor de nitrogênio na pilha de composto. Você pode usar um fertilizante "completo" tal como o 10-5-10. Uma receita típica para compostagem pode ser uma xícara da formulação citada, para cada 3m2 de superfície plana de composto. Esta dose pode ser aplicada novamente toda vez que sua pilha crescer 15 cm. Você também poderá usar uréia em quantidades ligeiramente menores.

1.5 Tamanhos da Partícula:

O tamanho médio das partículas de matéria orgânica que compõe a massa de compostagem também exerce grande influência no período de compostagem. Antes da montagem da leira de compostagem, os resíduos devem ser submetidos a uma correção do tamanho das partículas, o que favorece a vários outros fatores, como:
Homogeneização da massa de compostagem;
Agiliza o ataque dos microrganismos;
Melhoria da porosidade;
Menor compactação;
Maior capacidade de aeração.
Na prática, o tamanho das partículas da massa de compostagem deve situar-se entre 1 a 5 cm, Æ médio = 3,5 cm.

2. Onde montar a pilha:

Sua pilha de compostagem deve ficar próxima a uma fonte de água, pelo menos em algum lugar que possa ser alcançado com uma mangueira de jardim, em um local seco e onde você possa controlar a umidade da leira.
Em um clima mais quente que é o nosso caso, poderá colocar a pilha na sombra, onde ela não ressecará tão rapidamente.

3. Alguns Materiais Normalmente Utilizados:

Penas: Todo tipo de pena, de galinha, peru e outras aves também podem ser aproveitadas na compostagem, uma vez que são muito ricas em nitrogênio, e se decompõem com facilidade.
Cinzas: Cinza de madeira proveniente de lareira ou de fogão a lenha, especialmente se for peneirada para que fique sem pedaços de carvão. Uma pequena quantidade de cinza de madeira pode ser acrescentada à pilha de composto, a cada 45cm, aproximadamente, colocando-se posteriormente mais matéria orgânica. São uma ótima fonte de potássio para os horticultores orgânicos, pois a utilizam contra a prevenção de pragas. As cinzas das cascas de banana, limão, pepino e cacau possuem alto teor de fósforo e potássio.
As cinzas de madeira podem ser acrescentadas às pilhas de compostagem, mas perdem muito de seu valor se ficarem expostas ao excesso de chuva, pois o potássio lixívia facilmente.

Lixo doméstico: Quase todo lixo orgânico de cozinha é um excelente material para decomposição. Existem apenas algumas exceções dignas de nota: óleos e gordura animal. Restos de carne costumam atrair animais e moscas, além de causar um cheiro desagradável. Se você não conseguir esconder estes restos bem fundo em sua pilha, é melhor desprezá-los pois sua degradação é muito difícil.

Serragem: a serragem deve ser distribuída na pilha em camadas finas para que não haja concentração de material em um mesmo local. Se isto ocorrer, a degradação será extremamente lenta. Se a serragem for muito fina poderá bloquear a entrada de ar. A forma ideal é fazer uma espécie de sanduíche entre as camadas de esterco.

Poda de arbustos e cerca viva: Podas de arbustos e galhos de árvores são normalmente volumosos e difíceis de serem degradados, a menos que sejam picados ou retalhados, mas de vez em quando uma camada de podas volumosas pode ser utilizada na pilha. Este material torna a pilha volumosa permitindo dessa maneira uma penetração de ar mais eficiente.

Folhas: Para utilizar as folhas estas devem ser bem picadas para que não haja compactação e também para acelerar na decomposição.

Grama: Placas de grama são um ótimo isolante térmico e ajudam a manter as moscas afastadas. Tente cobrir a pilha do composto com as raízes para cima e a grama para baixo (CAMPBELL, 1995).

Ervas daninha: É ótima como matéria orgânica para o solo, mas deve-se acrescentar muito esterco ou outro material rico em nitrogênio, para que as altas temperaturas não permitam que as sementes germinem, assim evitando trabalhos futuros e o desperdício deste resíduo.

Rocha moída e conchas: Rochas e conchas possuem muitas dos materiais necessários para o crescimento de plantas. Partículas finas de pó de granito ou de mármore dissolvem-se relativamente rápido em qualquer pilha de composto que esteja úmida. Ostras moídas, conchas de bivalvos e de lagostas, só para citar alguns, terão o mesmo efeito que rocha moída. A casca de ostras moída pode substituir um bom calcário.

Calcário: O calcário pode ser utilizado principalmente como fornecedor de nutrientes, Ca e Mg, em quantidades 1 a 2 % em relação ao peso seco (conteúdo de sólidos) dos resíduos orgânicos. Portanto, não deve ser utilizado em grandes quantidades, pois além de aumentar o custo, obtêm-se condições de alcalinidade, o que leva à perda de nitrogênio devido à volatilização na forma de amônia (NH3 ). Além disso, altera os níveis de população dos microorganismos atuantes causando prejuízos ao processo.

Fósforo: Quando se adicionam fontes de P solúveis (superfosfatos), fosfatos parcialmente solúveis ou termofosfatos, à pilha de compostagem, o P que participa do processo de decomposição dos resíduos é imobilizado pelos microorganismos, ficando, portanto, numa forma orgânica. Quando o composto enriquecido é aplicado a um solo ácido com presença de óxidos-hidróxidos de Fe e Al (responsáveis pela alta adsorção de P dos fertilizantes), o fósforo fica protegido de ser adsorvido por estar na forma orgânica, permitindo uma melhor absorção pelas plantas, pois sua mineralização ocorre gradativamente. O P é um elemento interessante a ser usado na compostagem, pois os nossos solos normalmente são deficientes nesse elemento apresentam um alto poder de adsorção e, além disso, em geral os compostos apresentam teores de P menores que 0,2%.( PEIXOTO, 1987)

Algas marinhas: São ótimas como fontes de potássio se degradam facilmente e podem ser misturadas com qualquer outro material volumoso, como a palha. Também são muito ricas em outros nutrientes, como o boro, iodo, cálcio, magnésio entre outros.
No jardim deve ser aplicado a cada 3 ou 4 anos em grandes quantidades. Para o horticultor as algas marinhas mantêm a pilha isolada termicamente durante o inverno.

Acículas de pinheiro: São consideradas um bom melhorador da textura do composto. Apesar de se tornar levemente ácida na pilha, outros materiais irão neutralizar os efeitos ácidos.

Turfa: Em termos de nutrientes a turfa não acrescenta nada na compostagem, mas pode absorver toda a umidade existente.

Produtos químicos tóxicos: Deve-se evitar colocar inseticidas, pesticidas e venenos na pilha. Estes produtos são nocivos aos microorganismos que ajudam na degradação e aeração do solo.

Lodo de esgoto: Este resíduo merece um cuidado especial com altas temperaturas para a eliminação de metais tóxicos e de organismos patogênicos.

Resíduos não biodegradáveis

Resíduos de plásticos, vidros, alumínios e roupas possuem material sintético que não são biodegradáveis, que poderão prejudicar o solo. Borracha natural é biodegradável, mas tem lenta degradação.

Plantas doentes

Para adicionar plantas doentes na composto é preciso um processo de compostagem ideal para garantir a completa destruição de organismos patogênicos que causam doenças.


Papel colorido

Recomenda-se não adicionar nenhum tipo de papel colorido na compostagem, devido às tintas tóxicas e não biodegradáveis. Além disso, atualmente há muitas campanhas para a reciclagem de papéis.

Carvão mineral e vegetal

As cinzas de carvão mineral possuem uma quantidade excessiva de enxofre e ferro que são tóxicos para as plantas, além de apresentarem muita resistência a decomposição.

Aparas de grama

As aparas de grama são matéria orgânica muito rica em nutrientes. Nas pilhas de compostagem são ótimos isolantes térmicos e ajudam a manter as moscas afastadas.

Feno ou palha

Estes em uma compostagem necessitam de uma grande quantidade de nitrogênio para se decompor. Então recomenda-se que se utilize pequenas quantidades de feno e palhas frescos.

Resíduos de cervejaria

Este tipo de resíduo enriquece o composto, mas costumam ser bastante úmidos, não necessitando de irrigação freqüente.

Resíduos de couro

Pó de couro é muito rico em nitrogênio e fósforo, pode ser abundante e barato.

Jornais

Há algumas controvérsias de se colocar jornais na pilha de composto. Os jornais são uma grande fonte de carbono na sua compostagem, desde que se utilize em pequenas quantidades.

Alguns resíduos, como o sabugo de milho, de maçã, casca de citrus, talo de algodão, folhas de cana, folhas de palmeira, casca de amendoim, de nozes, pecan e amêndoa são de difícil degradação, porém possuem muito nitrogênio e matéria orgânica. Recomenda-se que sejam picadas em pedaços menores para que se degradem mais facilmente.
Para manter sua pilha volumosa e com força, pode-se acrescentar terra, calcário ou húmus, já areia, lama e cascalho adicionam poucos nutrientes.
Para a boa degradação dos componentes de uma pilha é necessário evitar alguns resíduos, como o carvão mineral e vegetal, papel colorido, plantas doentes, materiais biodegradáveis, fezes de animais de estimação, lodo de esgoto, produtos químicos tóxicos entre outros.

4. Materiais a serem evitados:

Quando sua pilha encolher e ficar menor, você até pode acrescentar certos materiais para aumentar o seu volume, adicionando terra, calcário e húmus. Lama, areia e cascalho adicionam pouco nutrientes, bem como microorganismos para seu composto. Abaixo, uma lista de alguns materiais a serem evitados:
Carvão mineral e vegetal;
Papel colorido;
Plantas doentes (devem ser queimadas e suas cinzas podem ser adicionadas à pilha de composto);
Materiais não biodegradáveis;
Fezes de animais de estimação;
Lodo de esgoto não tratado;
Produtos químicos tóxicos. (CAMPBELL, 1995)

5. Tamanho da Pilha

Não deve ser mais alta que 1,5 m, para compostos revisados manualmente em prazos longos. Em compostos comerciais as pilhas são maiores e revisadas com maior periodicidade. Caso contrário o centro da pilha talvez não obtenha ar suficiente, e uma área anaeróbica estará se formando no interior dela.
A largura da base pode variar de 1,5 m  a 3,0 m, sendo o comprimento função da quantidade da matéria prima para compostagem, bem como da disponibilidade de área no terreno. 

6. Como construir sua pilha de Compostagem

Tente construir sua pilha como um sanduíche de várias camadas usando todos ingredientes que encontrar. Alterne camadas "verdes" de material fresco de verduras e legumes com camadas "secas" de material envelhecido, camada absorvente com camada úmida, material rico em carbono com material rico em nitrogênio. Coloque uma camada de 15 cm de um material vegetal mais resistente, uma outra camada de 15 cm de um outro material vegetal menos resistente, uma camada de algum tipo de resíduo animal (como esterco). A cada  camada de material, irrigar de preferência com regador de jardim, repita o procedimento até a altura desejada. Esta fórmula pode ser facilmente adaptada ou modificada. Você pode querer não utilizar nenhum tipo de resíduo animal e, em vez disso, utilizar um outro ativador natural. Você pode, ainda, utilizar um pouco de calcário ou rocha moída. (CAMPBELL, 1995)
Quando se deseja fazer um composto rápido há cinco aspectos a serem considerados:
1) Utilizar diversos materiais para conseguir um suprimento de alimentação equilibrada para os microorganismos
2) Misturar todo material, ao invés de fazer camadas.
3) Reduzir o tamanho das partículas,  a fim de possibilitar a ação dos microorganismos;
4) Revolver freqüentemente para aeração;
5) Manter a umidade permanente.


7. Algumas características de um "composto curado" ideal:
ü                   Deve ser quase totalmente isento de qualquer organismo patogênico e sementes de ervas daninhas.
ü                  Deve ter um teor adequado de alguns macro nutrientes e conter uma variedade de micronutrientes. Também é desejável que o produto final possua traços de manganês, boro, sódio, zinco e outros nutrientes. Se você tem composto suficiente para aplicar em sua horta inteira e durante o ano todo, em pouco tempo você será capaz de corrigir deficiências de magnésio, cobre, ferro e boro do solo. Devo lembrar, no entanto, que isso não significa que o composto é um fertilizante completo e que não será necessários posteriores complementações com fertilizantes minerais.
ü                  O composto "curado" não precisa estar decomposto a ponto de somente apresentar partículas coloidais e ter uma aparência poeirenta. O composto deve ser leve e macio, mas não fibroso. Materiais rígidos e ricos em carbono, como fibra de palhas, podem ainda estar intactos. Mas se o composto está pronto para uso, você será capaz de esmagar e desfazer esse tipo de material entre os dedos. Composto friável, da mesma forma que solo friável, permite a entrada de ar e retém um bom teor de umidade, mas também permite que o excesso de água seja drenado.
ü                  Apesar de não se parecer com terra, um bom composto curado deve ter cheiro de terra – nunca cheiro de bolor ou de podre.
ü                  O composto terá passado por uma queda de temperatura de aproximadamente 65 º C para qualquer que seja a temperatura externa da pilha. O composto que ainda está muito mais quente do que o ar circulante necessita de mais tempo para decomposição.
ü                  Deve conter pelo menos 40% de matéria orgânica. Neste sentido, ele é mais valioso do que o próprio esterco. Não somente o teor de matéria orgânica é superior, como o composto possui menor quantidade de água do que esterco fresco. (KIEHL, Edmar)

8. Principais problemas, causas e soluções:

Durante a fase de degradação ativa

Pilha demora mais que cinco dias para esquentar (temp. 50 – 65 º C)

Causa: falta de Nitrogênio

Solução: adicione materiais ricos em N, tais como podas frescas de grama, esterco fresco ou farinha de sangue. Se você não pode misturar os materiais facilmente, tente fazer alguns orifícios na pilha e coloque o material rico em N.

Causa: falta de umidade

Solução: insira a mangueira do jardim dentro da pilha em diferentes pontos, ou faça buracos na pilha com uma vara e jogue água usando uma lata.
Cheiro desagradável proveniente da pilha

Causa: falta de oxigênio devido a compactação

Solução: areje

Causa: falta de oxigênio devido a encharcamento

Solução: adicione materiais ricos em carbono tais como talo de milho, folhas ou cavacos de madeira para absorver o excesso de água. Melhore também a aeração.
Geração espontânea de vegetação nas pilhas em maturação

Causa: colonização de sementes por pássaros, vento, etc.
Solução: retirar toda e qualquer vegetação da pilha

9. Para controle da decomposição

Teste da vara de madeira: para avaliação do grau de maturação do composto. Introduz–se uma vara de madeira na pilha de composto, deixando-a enterrada permanentemente; removendo a vara verifica-se se está:
Fria e molhada: na pilha não está havendo fermentação, provavelmente por excesso de água na massa;
Levemente morna e seca, com traços de filamentos brancos de micélio de fungos: a pilha necessita mais água.
Quente, úmida e manchada de pardo escuro: as condições para compostagem estão corretas.
Livre de "barro preto", com cheiro de mofo, podendo ser introduzida de volta na pilha com facilidade: o composto está pronto para ser usado.

Teste da temperatura: com um termômetro pode-se acompanhar o processo de compostagem, medindo-se a temperatura em uma profundidade entre 40 e 60 cm e sabendo-se que:
Na primeira fase, mesófila, a temperatura se eleva até 40 a 45ºC, é o início da compostagem.
Na segunda fase, a termófila, a temperatura alcança 70 º C ou até mais, é a fase da bioestabilização.
Na terceira fase, o retorno à mesófila, a temperatura cai novamente, em torno de 45 º C, identificando o término da bioestabilização e o início da humificação.
Na quarta e última fase, a criófila (crio significa frio), a massa adquire a temperatura ambiente, indicando que o composto está humificado. (KIEHL, 1985).

10. Avaliação do composto.

O composto será considerado humificado, ou seja, bio-estabilizado quando após ter permanecido por algum tempo com a temperatura acima de 55 ºC e depois a temperatura cair e permanecer constante, mesmo após revolvimento, ou, tecnicamente, quando a relação C/N for inferior a 17/1 e apresentar-se com coloração escura, cheiro característico de terra e consistência amanteigada (quando molhado e esfregado entre as palmas das mãos).

11. Composição química.

A avaliação do composto pela sua composição química se faz, determinando-se o conteúdo de matéria orgânica, o qual deve ser superior a 40%; determinado-se o teor de nitrogênio total (que deve ser superior a 1,75% e, quanto maior, mais valioso o adubo); calculando-se a relação C/N (que deve ser inferior a 17/1); e determinando-se o pH (que deve ser superior a 7,0).

12. Armazenamento

É difícil armazenar composto eficientemente. Como regra geral, no entanto, é preferível aplicar o composto muito cedo, talvez antes de a decomposição estar "completa" do que muito tarde.

13. Aplicação do composto

O composto orgânico curado pode ser empregado em contato direto com as raízes e com os brotos delicados sem perigo de queimar.
A época de adubação pode ser por ocasião do plantio, quando se forma a cultura (adubação de cova) e quando vai iniciar o período de produção da planta (adubação de cobertura). No primeiro caso o adubo é colocado no fundo da cova misturado com a terra preta da parte superior da cova; no segundo caso, na superfície da terra, entre as linhas de cultura ou em volta da planta.
As dosagens podem variar, dependendo da fertilidade do solo e da disponibilidade de adubo, entretanto, considera-se uma adubação fraca, cerca de 10 t/ha;  média 20t/ha a 30t/ha e forte, acima desse valor.

14. Custo de produção

Estima-se que o composto preparado manualmente, custa um homem/dia de trabalho por tonelada, sendo que uma tonelada tem cerca de 1,5 metros cúbicos de massa fresca.
Preparado mecanicamente, conforme a distância em que se encontra a matéria-prima, o número de revolvimento e o trator utilizado, o custo fica reduzido, praticamente, a um terço do valor citado por tonelada.

15. Valor comercial

O valor comercial do composto orgânico pode ser estimado supondo ser o custo produção de uma tonelada igual a R$ 60,00. Comparando-se a concentração em NPK do composto em torno de 4%, com o preço de uma mistura fertilizante (10-28-20) mais usada entre nós e que apresenta uma concentração 14,5 vezes mais concentrada (58%) e, dando mais um terço do valor do N do composto para a sua matéria orgânica tem-se:

O valor comercial da formulação 10-28-20 com 58% de concentração NPK igual a R$ 600,00/t. (preço Belém em 05/03/2001).

Valor do composto com 4% de NPK

-                                                                                                                    R$ 600,00  = R$ 31,37
           14,5

 Valor atribuído à matéria orgânica do composto, aproximadamente, R$ 60,00 por tonelada.


Conclusão:

1.                   O composto custa cerca de R$ 60,00/t  de mão-de-obra para ser produzido +  R$ 31,37 da concentração de NPK, perfazendo um custo total de R$ 91,37/t.

2.  Preço por quilo  =  R$ 91,37   =  R$ 0,09
                                       1000

3.                  Comercialização  = R$ 91,37/t. x  30% = R$ 118,78/t.

4.                  Preço da torta de mamona na praça de Belém no dia 05/03/2001, R$ 240,00/t



CAMPBELL, S. Manual de Compostagem para Hortas e Jardins. 1995.
PEREIRA NETO, J.T. Manual de Compostagem. 1996.
KIEHL, E.J. Fertilizantes Orgânicos. São Paulo: Ceres, 1985.
COELHO. Fertilidade do Solo. Campinas: Instituto Campineiro, 1973.
PEIXOTO, R.T G. Compostagem: Opção para o manejo orgânico do solo. Londrina: IAPAR,
      1987.
FASE. Métodos de compostagem rápida .Projeto tecnologias alternativas, 1987.


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